A lição do Playmobil do circo

Você lembra de algum brinquedo que sempre desejou e nunca ganhou? A minha grande frustração da infância foi não ter tido o circo do Playmobil.

Custava o equivalente a 500 reais. Vinha com picadeiro, animais, domadores, banda, público. Uma caixa enorme e pesada. Separadamente, ainda se podia comprar palhaços e mais atrações para abrilhantar o espetáculo.

O Playmobil era a sensação. Quem fabricava era a empresa Trol, que faliu e passou a marca para a Estrela. Saiu das prateleiras em 1999. Atualmente, o Brasil importa os bonequinhos da Alemanha e da Argentina.

No entanto, gostaria de fazer uma ressalva. O Playmobil segue sendo vendido nas prateleiras para os pequenos acima de quatro anos. Errado! Deveria estar numa seção direcionada às “crianças” com mais de 30.

Hoje em dia, percebo que não ter ganho o circo foi até bom. Crianças precisam ter limites e aprender que nem sempre se pode receber tudo de mão beijada.

A maior lição eu aprendi com esses simpáticos bonequinhos. Chamo-a de teoria do Playmobil, segundo a qual nada que aconteça irá tirar o sorriso do meu rosto!



As antigas bolachinhas: É São Luiz, é Nestlé!

Não é constatação de quem é saudosista. Definitivamente, os biscoitos não possuem os mesmos sabores de antes.

As embalagens acima são dos produtos da linha São Luiz, fábrica adquirida pela Nestlé em 1967. Por décadas, foram as bolachinhas mais apreciadas pelas crianças. O famoso jingle anunciava: “é São Luiz, é Nestlé!”.

Entretanto, nenhuma dessas marcas saiu de circulação. O que desapareceu foi o nome São Luiz. Isso aconteceu em 2002, quando a Nestlé desativou a unidade e demitiu 900 funcionários. O antigo gosto também foi dispensado.

As recheadas de chocolate e morango são as atuais Bono, que mudaram muito nos últimos anos. O próprio recheio não é mais o mesmo. O biscoito de leite possui uma mistura de mel. A Divertidos virou Passatempo, mas pouco alterou a fórmula.

As históricas Maizena e Maria vencem o tempo e sobrevivem ao mercado. Para a nossa alegria, preservam o sabor. Essas são eternas.



Minha dificuldade com Física (homenagem ao prof. Oppermann)

Observei o professor Bruno de Souza, do Fênix Vestibulares, tirando dúvidas de uma aluna sobre Física. Lembrei do quanto tal disciplina foi o meu pavor desde os tempos de colégio.

Durante todo o ensino médio, lá no Dom Bosco, quem lecionou foi o professor Roberto Oppermann. Lamento que só depois de formado que soube enxergar o valor dos três anos de convivência com ele em sala de aula.

Sim, por que, quando nos saímos mal numa matéria escolar, surge o péssimo hábito de culpar o professor. Ele me persegue. Ele não gosta de mim. Ele quer me ferrar. O fulano é o queridinho dele.

Se naqueles anos 90 eu tivesse mais maturidade, entenderia que a melhor forma de quebrar a barreira – que era minha – bastava estudar mais e, assim, provocar o orgulho nele. Mas não adianta. Parece que é da natureza humana o atalho de transferir a responsabilidade.

Em 1997, peguei recuperação em Física. Fui um fiasco e não venci. Naquele ano, e só naquele ano, houve a recuperação da recuperação. Que sorte! Tive uma terceira chance. Troquei o Natal por estudos intensos sobre cinemática, mecânica, hidrostática e todos os conteúdos que eu deveria dominar desde março. Como emergência, minha prima Luciane, com o cartão de visitas de recém ter sido aprovada em Enfermagem na UFRGS, passou o dia lá em casa quebrando a cabeça comigo.

No dia, o professor aplicou exatamente a mesma prova anterior. Até hoje, tenho dúvidas se passei mesmo. Desconfio, inclusive, que ele possa ter se equivocado na correção. Não consigo medir o atraso que significaria aquela reprovação. O prejuízo seria muito maior do que um ano da minha vida ou de pagamento de mensalidades. Certamente, a minha autoestima teria muita dificuldade para reagir ao golpe.

Foi ao contrário. O susto valeu que, nos dois anos seguintes, não mais fiquei com a corda no pescoço. Jamais tirei nota dez em Física, contudo a minha prima nunca precisou ser acionada novamente para me salvar.

O Oppermann também me ensinou língua portuguesa. Embora seja jornalista, formado há dez anos, é dele que lembro quando preciso enriquecer e objetivar um texto. Numa prova sobre conceitos, quando imaginei tirar a primeira nota máxima na matéria, quebrei a cara. Respondi todas as questões com a palavra “aquilo”. O que é intensidade da corrente elétrica? Aquilo que se mede com a carga dividida pelo tempo. Aquilo?! Pois acumulei meio certo e bailei.

Não há ex-aluno do Dom Bosco que não recorde com carinho e calafrios de quando, a qualquer momento, anunciava-se: “numa folhinha: nome, número e turma, primeira questão…”. Ah, as provas surpresas!

Acima de tudo, o Oppermann sempre pregou a honestidade. Aulas as quais interrompia a explicação sobre espelhos côncavos e convexos para contar histórias marcantes de vida. O que seria do chaveiro se todas as pessoas fossem honestas? Questionou-nos, certa vez, encostado na porta da sala.

Quem disse que bom professor ensina apenas o conteúdo necessário para a aprovação? Na minha profissão, uso raramente os conhecimentos de Física que o Oppermann tentou me transmitir. No entanto, adoto o que mais valioso ele nos disse em sala de aula.

Um verdadeiro mestre!

Gostaria muito que meus filhos tivessem aula com o Oppermann, porém com notas bem melhores em Física, evidente.

Na foto acima, à esquerda, aparecem o padre Gilson, ex-diretor, e a professora Clarice.



O primeiro filme que assisti no cinema

umaescolaatrapalhada

Eu tinha oito anos quando minha mãe me levou ao antigo Cine Coral, que ficava em frente ao Parcão, em Porto Alegre. O ano era 1990. Em cartaz: Uma Escola Atrapalhada.

Como não poderia ser diferente, o filme contava com a participação dos Trapalhões. Angélica, quase chegando aos 18 aninhos, surgia no papel principal. Selton Mello estreava no cinema.

Logo que entrei, fiquei impressionado com o tamanho da tela. Susto maior ainda quando apareceu aquele rapaz de cabelo tingido de branco que fazia par romântico com a Angélica. Era o Supla, até então criatura que dava um pouco de medo às crianças.

No elenco, nomes como Gugu Liberato, que interpretou o professor de música, Fafy Siqueira e o grupo Polegar. Ou seja, estavam reunidos quase todos os artistas que eu mais gostava de ver na televisão.

Esse foi o último filme do Zacarias, que morreu meses antes da estreia. Aparecia uma mensagem dos demais trapalhões antes de começar. Emoção oposta à euforia da cena final, quando os guris do Polegar cantavam Sou Como Sou e embarcavam num avião da Vasp.

A partir de então, sempre queria voltar ao cinema. Xuxa, Sérgio Mallandro e a Turma da Mônica gravaram vários títulos também. Não faltavam excelentes opções.


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