Minha dificuldade com Física (homenagem ao prof. Oppermann)

Observei o professor Bruno de Souza, do Fênix Vestibulares, tirando dúvidas de uma aluna sobre Física. Lembrei do quanto tal disciplina foi o meu pavor desde os tempos de colégio.

Durante todo o ensino médio, lá no Dom Bosco, quem lecionou foi o professor Roberto Oppermann. Lamento que só depois de formado que soube enxergar o valor dos três anos de convivência com ele em sala de aula.

Sim, por que, quando nos saímos mal numa matéria escolar, surge o péssimo hábito de culpar o professor. Ele me persegue. Ele não gosta de mim. Ele quer me ferrar. O fulano é o queridinho dele.

Se naqueles anos 90 eu tivesse mais maturidade, entenderia que a melhor forma de quebrar a barreira – que era minha – bastava estudar mais e, assim, provocar o orgulho nele. Mas não adianta. Parece que é da natureza humana o atalho de transferir a responsabilidade.

Em 1997, peguei recuperação em Física. Fui um fiasco e não venci. Naquele ano, e só naquele ano, houve a recuperação da recuperação. Que sorte! Tive uma terceira chance. Troquei o Natal por estudos intensos sobre cinemática, mecânica, hidrostática e todos os conteúdos que eu deveria dominar desde março. Como emergência, minha prima Luciane, com o cartão de visitas de recém ter sido aprovada em Enfermagem na UFRGS, passou o dia lá em casa quebrando a cabeça comigo.

No dia, o professor aplicou exatamente a mesma prova anterior. Até hoje, tenho dúvidas se passei mesmo. Desconfio, inclusive, que ele possa ter se equivocado na correção. Não consigo medir o atraso que significaria aquela reprovação. O prejuízo seria muito maior do que um ano da minha vida ou de pagamento de mensalidades. Certamente, a minha autoestima teria muita dificuldade para reagir ao golpe.

Foi ao contrário. O susto valeu que, nos dois anos seguintes, não mais fiquei com a corda no pescoço. Jamais tirei nota dez em Física, contudo a minha prima nunca precisou ser acionada novamente para me salvar.

O Oppermann também me ensinou língua portuguesa. Embora seja jornalista, formado há dez anos, é dele que lembro quando preciso enriquecer e objetivar um texto. Numa prova sobre conceitos, quando imaginei tirar a primeira nota máxima na matéria, quebrei a cara. Respondi todas as questões com a palavra “aquilo”. O que é intensidade da corrente elétrica? Aquilo que se mede com a carga dividida pelo tempo. Aquilo?! Pois acumulei meio certo e bailei.

Não há ex-aluno do Dom Bosco que não recorde com carinho e calafrios de quando, a qualquer momento, anunciava-se: “numa folhinha: nome, número e turma, primeira questão…”. Ah, as provas surpresas!

Acima de tudo, o Oppermann sempre pregou a honestidade. Aulas as quais interrompia a explicação sobre espelhos côncavos e convexos para contar histórias marcantes de vida. O que seria do chaveiro se todas as pessoas fossem honestas? Questionou-nos, certa vez, encostado na porta da sala.

Quem disse que bom professor ensina apenas o conteúdo necessário para a aprovação? Na minha profissão, uso raramente os conhecimentos de Física que o Oppermann tentou me transmitir. No entanto, adoto o que mais valioso ele nos disse em sala de aula.

Um verdadeiro mestre!

Gostaria muito que meus filhos tivessem aula com o Oppermann, porém com notas bem melhores em Física, evidente.

Na foto acima, à esquerda, aparecem o padre Gilson, ex-diretor, e a professora Clarice.



3 Comentários

  • Isadora Lempek

    Bah Gustavo! Disse tudo que a maioria de nós pensa sobre o Oppermann! Também não sou nenhum gênio da física, mas foi ele que me fez adorar a matéria e ser uma boa aluna! E sim, o que ficou da física hoje não foi muito – Mas o que ficou do Oppermann foi tudo: ele ensinou como respeitar e admirar um mestre não só pelo conhecimento da disciplina, mas pelos ensinamentos da vida!!! Hoje, depois de uns anos de colégio, de faculdade e de pós graduação quando penso em um exemplo de professor é no Oppermann que eu lembro! E a única saudade que eu tenho dia tempos de escola.
    Abraços meu mestre

     
  • Carlota

    Caramba!! Conheci esse cara quando ainda era estudante e na época já dava para prever que o sucesso e a dedicação, estavam garantidos. Parabéns, Roberto!!! Grande ser humano.

     
  • Rosane Esteves Elias

    Que bonito ver alunos reconhecerem o bom trabalho de um professor!
    Estou me perguntando se o Roberto Oppermann foi meu contemporâneo como estudante, no ótimo colégio estadual, à epoca, D. João Becker.

     

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