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Nada era mais adulto do que preencher um cheque

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Observava atentamente como os meus pais escreviam sobre aquela folha para seguir à risca quando eu crescesse e chegasse a minha vez. Ao lado do último zero do valor, no topo à direita, recomendava-se acrescentar um sustenido.

Em seguida, escrever por extenso o valor. Parecia tema do colégio: trezentos e quarenta e cinco cruzeiros e oitenta e nove centavos. Após assinar e marcar a data, o pai fazia rapidamente uma série de traços paralelos que davam toda a elegância para aquele rito. “Tem que cruzar”, dizia ele.

Às vezes, o atendente pedia que se acrescentasse no verso o número de um telefone. Quantos cheques sem fundos voaram no mercado até então, embora isso não significasse muito para quem planejava um calote. Em outras ocasiões, o pai pedia para que a pessoa também assinasse atrás. “Tem que endossar”, dizia ele.

O tempo passou e chegou a minha vez. Com 17 anos e após ingressar no meu primeiro emprego, recebi um talão de cheques novinho do Banrisul. Decidi estrear na Manlec, após insistência da mãe em comprar uma escrivaninha nova para o meu quarto. Levei a caneta de casa, afinal seria o ápice da minha fase adulta. Pela primeira vez, aquele garotinho que brincava de Banco Imobiliário assinaria um cheque de verdade. Poderoso? Rico? Que nada!

Esqueci que o meu salário era tão minguado que não foi possível pagar aqueles R$ 350 à vista. Preenchi 10 cheques de R$ 35. O braço cansou, a graça acabou e conheci a verdadeira sensação de que a vida real na fase adulta não é apenas o charme de escrever um papelzinho.

Crédito ou débito? Hoje em dia, até prefiro ouvir essa pergunta.



O Iguatemi faz parte da minha vida

Um shopping localizado próximo de onde moro, na zona norte de Porto Alegre, e que inaugurou seis meses depois que eu nasci. Conhecer a expansão do Iguatemi é como revisitar a minha infância.

Em todos os 33 anos de história, por exemplo, as crianças aguardam pela decoração de Natal do shopping. Na foto acima, de 1987, apareço bem ao centro, de camiseta azul, conversando com a mãe. Naquela ocasião, houve até neve artificial para completar os efeitos. Puro encantamento!

No ano seguinte, a Turma da Mônica fez show em plena praça de alimentação, localizada no mesmo lugar até hoje. Lembro também das vezes em que eu chorava copiosamente para cortar o cabelo com a tia Elony, no salão que havia no interior da antiga loja Alfred. Creio que Petiskeira, C&A e Safira sejam as únicas que seguem no mesmo lugar desde a década de 80.

Antes das primeiras ampliações, foi no estacionamento de frente à Túlio de Rose que aprendi a andar de bicicleta sem rodinhas. Aos domingos, é claro, quando o shopping não abria. Aliás, o mesmo lugar onde, em 1996, houve uma temporada do Playcenter, com direito ao onipotente e temível kamizake, a novidade da época.

Uma atração que permanece ao longo das três décadas é o relógio d’água. Quem nunca perdeu alguns minutos observando e tentando compreender o funcionamento daquela engenhoca bolada por um francês? O ápice é nas horas cheias, quando os 250 litros daquele líquido verde despencam. Para quem gosta de física, é uma aula sobre vasos comunicantes.

A novidade 2016 são os 110 novos espaços para lojas e serviços, que devem gerar cerca de 2,5 mil empregos. Assim como cada um de nós, os antigos frequentadores, o Iguatemi segue crescendo e evoluindo.

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